VÁRZEA GRANDE - Quem trafega diariamente pela saída de Várzea Grande sentido Jangada sabe: entre às 15h e 19h, o trecho vira um verdadeiro funil. O intenso fluxo de carretas e veículos pesados, somado ao movimento de moradores que retornam do trabalho, transforma o trajeto em um teste de paciência diário. A solução prometida para por fim a este cenário é a construção de vias marginais no local, mas a população e comerciantes da região aguardam ansiosos pelo avanço das máquinas.

A equipe do Girando News esteve no perímetro onde as novas marginais serão erguidas, entre os bairros Novo Mundo e Jardim Buenos Aires, e constatou a apreensão de quem vive e trabalha no local.

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Moradores que atuam na região do Jardim Buenos Aires relatam a dificuldade de locomoção nos horários de pico. "É impossível. A gente fica preso, não tem por onde passar. O trânsito de carreta não para e a gente fica refém. Já solicitamos à Prefeitura de Várzea Grande a possibilidade de abrir uma rua alternativa aqui no Jardim Buenos Aires que desse acesso ao Residencial José Carlos Guimarães, mas até agora nenhuma resposta", desabafou um morador, que preferiu não se identificar.

Enquanto a prefeitura ainda não se manifestou sobre o pedido da comunidade, outra novela corre em paralelo: a desocupação da área onde a pista será construída.

SUCATAS NO CAMINHO DAS MÁQUINAS

Andando pelo trajeto previsto para a marginal, a reportagem flagrou o cenário que preocupa a concessionária responsável. O caminho está tomado por sucatas, carcaças de veículos, caminhões, ônibus e maquinários descartados por empresas instaladas na região. Alguns empresários já atenderam à notificação e iniciaram a retirada do material. Outros, no entanto, ignoraram o prazo e mantêm os equipamentos no local, o que pode atrasar o início efetivo das obras.

Procurada pela reportagem, a Nova Rota do Oeste esclareceu a situação jurídica e operacional do espaço.

"Importante destacar que as vias marginais serão implantadas em uma área pertencente à União, às margens da rodovia. Atualmente, porém, esse espaço está ocupado por materiais ligados a empresas de sucata instaladas na região, como carcaças e peças de veículos, além de eletrodomésticos e maquinários de construção descartados", informou a concessionária em nota.

A empresa reforçou que já notificou as empresas responsáveis para que desocupem a área e realizem a retirada dos materiais. "A medida é necessária para permitir a continuidade das obras de duplicação e a implantação das vias marginais no trecho", completou.

O CRONOGRAMA DA OBRA

A duplicação da BR-163/364 entre Várzea Grande e Rosário Oeste é uma das mais aguardadas da região. De acordo com a Nova Rota, as obras foram iniciadas em julho de 2025, com um investimento pesado de R$ 431,3 milhões.

O primeiro pacote de intervenções prevê a duplicação de 56,2 quilômetros entre Várzea Grande e Jangada. Além disso, estão previstas a recuperação da pista antiga, a construção de três acessos, quatro pontes, um viaduto, uma passarela e, finalmente, a implantação de dois quilômetros de vias marginais em Várzea Grande, justamente no trecho vistoriado pela nossa equipe.

O prazo estipulado para a conclusão total deste lote é de 32 meses. Sobre a expectativa para o início da terraplanagem especificamente nas marginais, a Nova Rota confirmou que o pontapé inicial está previsto para acontecer no segundo semestre deste ano.

A expectativa agora é que, com a desocupação da área e o início das obras, o direito de ir e vir dos moradores do Novo Mundo e Jardim Buenos Aires seja finalmente respeitado, pondo fim a um gargalo que já dura anos na entrada da cidade.

Matéria: Anderson Braga / Girando News