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WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira (06) que Cuba "vai cair muito em breve" , intensificando a pressão sobre a ilha em um momento de colapso energético e humanitário sem precedentes. Em entrevista por telefone à CNN, Trump afirmou que as autoridades cubanas "estão desesperadas para chegar a um acordo" e que encarregou o Secretário de Estado, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, para conduzir as negociações .
"Querem fazer um acordo desesperadamente. Então, vou colocar o Marco nisso e veremos como funciona", disse Trump, que também voltou a afirmar que a ilha é um alvo após o fim do conflito com o Irã. "Estamos muito concentrados nisso agora. Temos muito tempo, mas Cuba está pronta, depois de 50 anos" .
"Questão de Tempo"
Não é a primeira vez que Trump sinaliza uma ação iminente. Na última quinta-feira (05), durante um evento na Casa Branca com o time de futebol Inter Miami e o astro Lionel Messi, o presidente já havia declarado que é apenas uma "questão de tempo" antes que muitos cubano-americanos possam retornar à ilha .
Na ocasião, Trump se dirigiu a Jorge Mas, empresário cubano-americano e proprietário do time: "Você vai voltar. Isso vai ser um grande dia, certo? Vamos comemorar isso separadamente daqui a algumas semanas" . Para Mas, a resposta foi direta: "Vai ser um dia incrível" .
O Colapso de Havana
As declarações de Trump não surgem do vácuo. Desde a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma operação das forças especiais dos EUA em Caracas, no dia 3 de janeiro, Cuba perdeu seu principal aliado e fornecedor de petróleo . A interrupção no fornecimento venezuelano, que sustentava a ilha, somou-se a uma ordem executiva de Trump que ameaça com tarifas qualquer país que venda ou forneça petróleo a Cuba .
O resultado é uma crise energética profunda. Dados oficiais citados pela imprensa internacional indicam que nenhum petróleo foi importado por Cuba desde 9 de janeiro . A população enfrenta apagões de até 24 horas, e o lixo se acumula nas ruas de Havana devido à falta de combustível para os caminhões de coleta, gerando risco de crise sanitária. Moradores têm recorrido a queimar o lixo durante a noite, enchendo as ruas de fumaça acre .
Até mesmo em áreas mais abastadas da capital, as pessoas têm cozinhado com lenha durante os apagões. Companhias aéreas como a Air France suspenderam voos para a ilha devido à falta de combustível de aviação, paralisando o turismo .
As Conversas "de Alto Nível"
O governo cubano não confirma oficialmente as negociações, mas a imprensa americana revelou detalhes dos contatos. Segundo o Newsmax e o Sacramento Bee, o ponto de contato em Havana seria Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do envelhecido líder revolucionário Raúl Castro . Rubio estaria buscando uma figura que possa garantir uma transição nos moldes do que ocorreu na Venezuela, onde uma líder da oposição, Delcy Rodríguez, passou a colaborar com os EUA .
O próprio Trump, em entrevista ao site Politico, deixou claro que a estratégia de asfixia econômica é deliberada: "Cortamos todo o petróleo, todo o dinheiro que vinha da Venezuela, que era a única fonte. E eles querem fazer um acordo" .
"Friendly Takeover"
Questionado se os EUA estariam desempenhando um papel na queda do governo cubano, Trump foi direto: "Bem, o que você acha? Depois de 50 anos, isso é a cereja do bolo" . O presidente já havia levantado a possibilidade de uma "tomada de controle amistosa" ( friendly takeover ) da ilha, sem detalhar o que isso significaria na prática .
Analistas políticos divergem se a estratégia atual é repetir o modelo venezuelano ou simplesmente levar o regime de Havana à rendição por asfixia total, forçando uma negociação nos termos de Washington.
O Fator Rubio e o Verão que Se Aproxima
A escolha de Marco Rubio para liderar o processo é carregada de simbolismo. Conhecido por sua posição dura contra o regime castrista, Rubio agora teria a missão de gerir as conversas para uma potencial transição política. Aliados de Trump no Congresso, como o senador Lindsey Graham, já declararam que "Cuba é a próxima" e que "os dias da ditadura comunista em Cuba estão contados" .
Enquanto isso, a população cubana teme o que está por vir. O tempo ainda está ameno em Cuba, permitindo que as pessoas durmam sem energia elétrica, mas muitos estão preocupados com a reação da população quando chegarem as intensas temperaturas do verão, sem ar-condicionado ou ventiladores .
A comunidade internacional observa com apreensão, enquanto Cuba vive seus dias mais sombrios em décadas, à espera de um desfecho que pode redefinir o mapa geopolítico do Caribe.
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📌 Nota do Editor: As informações foram apuradas com base em reportagens da BBC, Associated Press, CNN e Politico, refletindo a situação real de março de 2026. Não há confirmação de planos de invasão militar, apenas de pressão econômica e negociações políticas
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